Educação Alimentar e Nutricional em Pediatria

Educação Alimentar e Nutricional em Pediatria

Post do dia: 2018-07-06 09:45:09. Publicado 05/07/2018 por Prof. Debora Marques Categoria: Nutrição Clínica .

Segundo o Ministério da Saúde, a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) se configura como um campo de conhecimento e prática contínua e permanente, intersetorial e multiprofissional, que utiliza diferentes abordagens educacionais. São ações que envolvem indivíduos ao longo de todo o curso da vida, grupos populacionais e comunidades, considerando as interações e significados que compõem o comportamento alimentar. 

Seu objetivo é contribuir para a realização do direito humano à alimentação adequada e garantia da segurança alimentar e nutricional (SAN), a valorização da cultura alimentar, a sustentabilidade e a geração de autonomia para que as pessoas, grupos e comunidades estejam empoderados para a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a melhoria da qualidade de vida. A EAN é entendida como processo de diálogo entre profissionais de saúde e a população, visando a autonomia e ao autocuidado. 

Falar em EAN para crianças, envolve ainda conceitos como prevenção de doenças cada vez mais frequentes na infância como obesidade, hipercolesterolemia, diabetes, entre outras. A obesidade infantil é apontada pela OMS como um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. A estimativa é que em 2025 o número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo chegue a 75 milhões caso nada seja feito.

Recentemente, em maio deste ano, foi aprovada lei que inclui no currículo escolar o tema EAN no ensino fundamental e médio. A intenção desta medida é reduzir a obesidade infantil, além de assegurar informações sobre alimentação saudável aos cidadãos desde novos. 

O que há de novo?

As grandes mudanças que aconteceram na sociedade ao longo dos últimos anos podem explicar mais diretamente as diferenças das crianças de hoje. A primeira grande mudança é que os próprios adultos já não são mais exemplo de submissão e obediência. Antigamente, a mãe obedecia qualquer ordem dada pelo pai, porque isso era culturalmente aceitável. Ou seja, poucas pessoas questionavam a ideia de que a decisão do pai era definitiva. Atualmente, todos os grupos minoritários exigem seus direitos de igualdade e dignidade de forma absoluta. As crianças estão simplesmente seguindo os exemplos que observam ao seu redor. Elas querem ser tratadas com dignidade e respeito. Obviamente, que as crianças não merecem todos os direitos que advêm de maior experiência, habilidade e maturidade. A liderança e orientação por parte do adulto são muito importantes no processo de desenvolvimento.

Jogos x Estratégias

Disciplina positiva

É uma abordagem baseada em respeito mútuo e cooperação. Incorpora gentileza e firmeza ao mesmo tempo como fundamentos para ensinar competências de vida na responsabilidade. Um dos conceitos mais importantes nessa abordagem é que crianças são mais propensas a seguir regras que elas ajudaram a estabelecer. Elas aprendem a tomar decisões eficientes com autoconceitos mais saudáveis quando aprendem a ser membros que contribuem com a família, a classe e a sociedade. 

Ex: Levar a criança à feira e pedir ajuda para escolher frutas, legumes e verduras para o cardápio; estimular que a criança ajude no preparo de algumas receitas, na elaboração do lanche para a escola dando 2 a 3 opções saudáveis para que ela possa escolher, sem abrir muito o leque de possibilidades (gentileza e firmeza).

Estratégias de Coaching

Busca desenvolver habilidades de clareza, comprometimento e autonomia. A ideia é conversar com a criança sobre a importância dos alimentos e pedir ajuda dela para traçar metas para melhorar a alimentação.

Ex: Ter 5 cores no prato; comer 3 frutas ao dia; beber 8 copos de água; provar 1 legume novo por semana, etc. Montar uma tabela e colocar em algum lugar de fácil visualização e todos os dias preencher junto com a criança, valorizando todos os pequenos progressos.

Mindfulness/ Mindful Eating

É uma prática de atenção plena ao momento presente que leva a um estado mental de ampliação da consciência, para reduzir os níveis de estresse mental e emocional. Aplicado para crianças, essa técnica melhora entre outras coisas, o foco, a atenção e regula níveis de ansiedade. Quando voltada para a alimentação, essa técnica visa trabalhar sensações de fome x saciedade e estimular percepções sobre texturas, formatos e sabores de cada alimento tornando a alimentação muito mais atrativa e interessante, além de ajudar a prevenir compulsão alimentar por ansiedade.

Ex: Estimular que a criança toque no alimento, sinta a textura e o cheiro, feche os olhos e sinta o movimento do alimento ao ser mastigado e engolido.

Alimentação consciente x Sustentabilidade

O conceito de sustentabilidade está cada vez mais presente em nossa rotina e é muito importante que ele seja lembrado quando o assunto é EAN das crianças. É preciso incentivar o consumo de alimentos orgânicos, a prática da coleta seletiva e redução do uso de utensílios e embalagens plásticas, visando proteger o meio ambiente.

Ex: Plantar uma horta e/ou vasinhos de temperos em casa, usar lixeira seletiva e ensinar sobre a importância dessa prática para o bem do planeta.

Conclusão

As estratégias de EAN podem e devem ser iniciadas desde as primeiras fases da vida visando a formação de hábitos alimentares, prevenção de doenças e qualidade de vida na infância e na vida adulta. Cabe ao profissional de saúde estar atento às fases de desenvolvimento da criança, às mudanças no padrão de comportamento da sociedade e nos modelos de família atuais, buscando constante atualização nas diferentes abordagens para que os pais e cuidadores consigam cumprir a missão de educar o paladar e ajudar as crianças nas escolhas mais saudáveis.


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Prof. Debora Marques

Prof. Debora Marques

Nutricionista graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pós –graduada em Saúde Materno-infantil pela UFRJ e Nutrição Clínica Funcional pela Universidade Cruzeiro do Sul. Formada há 12 anos, atuou tanto no acompanhamento nutricional do paciente hospitalizado na pediatria do Hospital Federal de Bonsucesso, no Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz e Hospital Central do Exército, como também no atendimento domiciliar voltado para gestantes e crianças. Há 5 anos atua em consultório, cursos e palestras com foco no público materno-infantil, principalmente crianças de 0 a 2 anos, além de fazer parte do corpo docente da Pós Graduação em Nutrição na Obstetrícia, Pediatria e Adolescência do Nutmed/UniRedentor.

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